domingo, 30 de julho de 2017

Trem sem cabeça

Minha mente caminha como um trem sem cabeça
As palavras reclamam,
meus sentidos dominam
Minha dor se acomoda
Meus trilhos se desfazem

Com um olhar taciturno me vês,
Teus olhos me penetram
Meus sentidos aguçam
Minha dor se esvazia
E meus trilhos recompõem

Com mãos frias me tocas,
Tua superfície me invade
Meus sentidos se anulam
Minha dor reclama
E meus trilhos desmoronam

O que queres de mim não sei
Sei que meu trem é sem parada
Caminha pela noite
Desbravando o vento
Ferindo como uma lâmina de espada

Mas meus signos são simples
Não escondem ou reservam
Meu olhar calmo e estático
Atravessa o ar até tua cama

E com uma faca me feres
Meu sangue escorre em voltas
Se expandindo lentamente
Só então minha vida se abranda
E o trem segue na noitinha
Pedindo passagem

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