quarta-feira, 15 de maio de 2013

Fantasma de um verso

Por aqui eu teço um verso, um soneto sem lirismo
Bem de noite que quem transcrevo só gosta do luar
E quando amanhece, bem cedo, revejo e nem percebo
As linhas e formas que minha mão à noite ao papel ousou pousar

Me lembro de um verso que eu já li ou ouvi bem cedo:
Que a gente muda em forma e vida mas nunca de verdade de lugar
Que a água que corre em margem ampla, corre por dentro bem funda
Seja mesmo água suja ou a salgada do mar

Por fim eu teço um verso, um fantasma de um lirismo
Nem ouse perguntar como, mas eu chego lá
Parece que vou levando e a coisa acabando
e no fim tudo fica no
mesmo lugar
.