As palavras reclamam,
meus sentidos dominam
Minha dor se acomoda
Meus trilhos se desfazem
Com um olhar taciturno me vês,
Teus olhos me penetram
Meus sentidos aguçam
Minha dor se esvazia
E meus trilhos recompõem
Com mãos frias me tocas,
Tua superfície me invade
Meus sentidos se anulam
Minha dor reclama
E meus trilhos desmoronam
O que queres de mim não sei
Sei que meu trem é sem parada
Caminha pela noite
Desbravando o vento
Ferindo como uma lâmina de espada
Mas meus signos são simples
Não escondem ou reservam
Meu olhar calmo e estático
Atravessa o ar até tua cama
E com uma faca me feres
Meu sangue escorre em voltas
Se expandindo lentamente
Só então minha vida se abranda
E o trem segue na noitinha
Pedindo passagem

