Seco pelo sol e recebido pela terra.
Era o fim da caminhada longe da sinfonia
e os pés descalços já não sequer sentiam
a dor do chão, vidro estilhaçado, que sugava
por completo a sua vida.
Seco pelo sol e recebido pela terra.
Não via nem cruz nem o diabo ou algum sinal de vida.
Era sonho ou realidade? Isso nunca saberia!
Tocavam as tompretas no firmamento declarando:
luta vencida!
Seco pelo sol e recebido pela terra.
A tal verdade absoluta, ele agora encontraria:
conversaria sobre a vida, o tempo e os astros.
Mas no fim, quando sozinho, ninguém o consolaria.
Seco pelo sol e recebido pela terra.
Era o fim desse velho diabo e das armaguras de sua vida,
era o fim da consciência e dúvida não restaria: felicidade não é de alma,
mas da matéria, que agora já falecida.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Morte amiga
Ontem, à noite, te matei de novo:
com os punhos segurei teus pobres ossos.
E na tua morte, vi minha vida
tão bem descrita e desenhada
que escondia completamente a tua cara
Esse rosto amargo e retalhado,
de quem navega sonhos claros,
de quem se esconde entre meus pares
Amiga morte, bem, o que fazes?
No quinto dia que te matei
foi bem aí que me dei conta-
tu eras a própria morte e
se humilhava por minha vida.
Mesmo tudo escuro e embaçado:
eu, bem sentado, vi teu rosto- ó mulher fria.
Mas eu me culpo, ó morte, por sequer te ter ouvido
E me sinto atormentado por ter escolhido: vida.
Pois tua cara não era de raiva nem de quem me mataria,
era de medo, tristeza e calma, de quem só reclamava
por alguma vida.
com os punhos segurei teus pobres ossos.
E na tua morte, vi minha vida
tão bem descrita e desenhada
que escondia completamente a tua cara
Esse rosto amargo e retalhado,
de quem navega sonhos claros,
de quem se esconde entre meus pares
Amiga morte, bem, o que fazes?
No quinto dia que te matei
foi bem aí que me dei conta-
tu eras a própria morte e
se humilhava por minha vida.
Mesmo tudo escuro e embaçado:
eu, bem sentado, vi teu rosto- ó mulher fria.
Mas eu me culpo, ó morte, por sequer te ter ouvido
E me sinto atormentado por ter escolhido: vida.
Pois tua cara não era de raiva nem de quem me mataria,
era de medo, tristeza e calma, de quem só reclamava
por alguma vida.
O verbo
Quando o verbo cala e a pele toca
não sei se é essa natureza fraca que fala
essa estranheza que tanto teme em largar
ela que rasga e arrasa as formas:
mansa como a brisa, mas tão fecunda quanto o fogo
Essa coisa secular que insiste em te por em terra,
pendurar esses ossos e segurar.
Tomar-te em sonho molhado.
E no gozo recém-chegado te desejar completamente nova
Andar pela floresta escura de sua alma
e revelar, no mais profundo vale,
a mais escondida tentação
Até que chegue o dia e bem junto as palavras.
Até que o verbo ouse acordar, os pés irem ao chão e a cabeça levantar.
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