quinta-feira, 13 de julho de 2017
Cobertor
Virado ao contrário
No avesso
Calado
A tristeza é tão calma
A alegria, macia
Saudade não dá trégua,
A solidão, amiga
E, lembrando da praia,
-O gosto, o cheiro e o som
Passando pelo fogo e inferno-
Do metal vermelho em brasa
E de te ver pela luz fraca
Que o céu inteiro cuspia
Como se o mundo fosse uma fera
e o firmamento sua contenção
E por Deus, cada estrela que caia
Do frio calado-claro
Virava brasa antes de chegar ao chão
Parece que junto pedaço
Porque só vestindo o verbo que refaço,
Ressinto e te amo
Me visto de solidão
O verbo é meu cobertor de lã
Me protege de sua intenção
Me protege de mim
Me protege?
Mas não se foge da palavra,
Não se escolhe, não se cobre
Não se protege
Não se teima amar
Não se treina amar
Não se ama
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário