sexta-feira, 14 de julho de 2017

Dezembro



Meus punhos e braços são curtos e fracos 
Mas me visto e transfiguro
Te guardo como escudo
Porque do meu corpo faz calor 

E sem dizer, em dezembro,
Ela chegou
A noite longa
Meu pulso fraco 
A noite mansa
Que se fechava 
A carne magra 
Aquela angústia 
Quase um ano 
Estático 

Até que o céu gritou 
Um raio quebrou 
E reflexo no espelho
Irreconhecível, inegável 
Inabalável, triste e feio 
-O solstício austral-
Quebrou em um clarão 
O céu tremia, a carne pulsava 
Latente e mansa
Calma e transfigurada

Mas eu era derrota, e fraco 
E a ressaca me consumia 
Em carne viva, em sonho seco
Meu pulso leve nem aparentava 
Qualquer sinal de vida

A noite foi, deixando um rastro 
Deixou bem claro que  
Quando esquecida, renovaria 
Apareceria sem pretensão
Sem chocar, sem falar 
E ao calar, resurpreenderia
E traria de volta toda aquela solidão 

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