Meus punhos e braços são curtos e fracos
Mas me visto e transfiguro
Te guardo como escudo
Porque do meu corpo faz calor
E sem dizer, em dezembro,
Ela chegou
A noite longa
Meu pulso fraco
A noite mansa
Que se fechava
A carne magra
Aquela angústia
Quase um ano
Estático
Até que o céu gritou
Um raio quebrou
E reflexo no espelho
Irreconhecível, inegável
Inabalável, triste e feio
-O solstício austral-
Quebrou em um clarão
O céu tremia, a carne pulsava
Latente e mansa
Calma e transfigurada
Mas eu era derrota, e fraco
E a ressaca me consumia
Em carne viva, em sonho seco
Meu pulso leve nem aparentava
Qualquer sinal de vida
A noite foi, deixando um rastro
Deixou bem claro que
Quando esquecida, renovaria
Apareceria sem pretensão
Sem chocar, sem falar
E ao calar, resurpreenderia
E traria de volta toda aquela solidão

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