Ontem, à noite, te matei de novo:
com os punhos segurei teus pobres ossos.
E na tua morte, vi minha vida
tão bem descrita e desenhada
que escondia completamente a tua cara
Esse rosto amargo e retalhado,
de quem navega sonhos claros,
de quem se esconde entre meus pares
Amiga morte, bem, o que fazes?
No quinto dia que te matei
foi bem aí que me dei conta-
tu eras a própria morte e
se humilhava por minha vida.
Mesmo tudo escuro e embaçado:
eu, bem sentado, vi teu rosto- ó mulher fria.
Mas eu me culpo, ó morte, por sequer te ter ouvido
E me sinto atormentado por ter escolhido: vida.
Pois tua cara não era de raiva nem de quem me mataria,
era de medo, tristeza e calma, de quem só reclamava
por alguma vida.
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