quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O caçador


Lá, do céu preto bem claro só se vê por três pontos de noite desenhado
Um cinturão feito de nós e laços que de tão apertados torturam um coração
Vou contar como um dia me foi dito e como sei que tenho visto de noite no sertão.

Bela donzela, Artemis bem nova era, como a manhã, prematura em saber :
ainda magra, a deusa sempre quis insistir e desinsistir em nunca do amor saber.
Mas foi caçada por um belo e jovem homem - e o problema era ser homem- com um conjunto num buquê
Cheia da amor a deusa ainda nova o seu amor lhe entregou prometendo seu bem-querer.

Mas seu irmão o Sol tinha complexo, quiçá ainda de Édipo, e ciúme cheio em mãos
do caçador, que amor lhe jurou, queria sua irmã a todo custo proteger.
Mas a deusa, fogo lhe pegava, pois agora respirava a brisa do um novo amor.

Então o Sol, mais possuído que erínias, jogou-lhe um peçonhento para tomar a sua vida
E ainda instigou em sua irmã um extremo medo para que matasse, em desejo, naquela noite de luar :
- Mate, minha cria, agora mate a quem lhe ameaça, mate a morte e deixe a vida do ser que é mais amado,
mate e desgrace tudo que já um dia lhe foi dito, mate o peçonhento a quem recompensa ofereci,
mate o subalterno a quem ao seu deus só quis servir.

E com a flecha de cedro ela assistiu lentamente a partida e o seu amor morrer,
o peçonhento num movimento obscuro fugira da flecha que acertou o caçador.
Seu amor sofreu a ira do irmão que mesmo gêmeo amaldiçoou aquele amor .

Artemis de quase morta e desolada, fora, por fim, com seu pai, em segredo, interceder:
-Guarde ele meu senhor no céu mais alto com fundo preto claro pra brilhe lentamente
que eu já me cansei de virar mar e corredeira e rio de pranto que jamais pensei passar,
o meu amor mesmo que mestiço e raro, ainda sim, era legítimo do seu bem-querer.

E aquele deus, Zeus de tão piedoso a sua bastarda entregou a faca, o seu penar.
Eu vou fazer, vou fazê-lo brilhar toda noite sem luar em sua casa para que lembre:
d'uma flecha que ousou por vaidade o seu jovem e prematuro amor mestiço matar
Ainda escute: é bem sabido que é destino de caçador e de quem com quem mortal se deita nua
a morte beijar.

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